ESCOLA MUNICIPAL PREFEITO LUIZ MANOEL NOGUEIRA
Plano de Ação 2025
Introdução
A qualidade da educação básica pública no Brasil é avaliada e monitorada por meio de indicadores oficiais, como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB). Esses instrumentos possibilitam a análise do desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática, bem como o fluxo escolar, permitindo que gestores e professores direcionem intervenções pedagógicas.
Este plano integra gestão pedagógica
e administrativa para elevar aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática,
reduzir reprovação/abandono e fortalecer a cultura de uso de dados (IDEB/SAEB e
Censo Escolar). Alinha-se à BNCC (competências e habilidades essenciais), ao
PNE (metas de universalização e aprendizagem) e ao ODS 4 (educação inclusiva,
equitativa e de qualidade).
No município de Ipojuca-PE, a Escola Municipal Prefeito Luiz Manoel Nogueira, localizada no distrito de Camela, enfrenta desafios relacionados ao desempenho dos estudantes, taxas de reprovação, distorção idade-série e absenteísmo. Nesse sentido, torna-se essencial a elaboração de um plano de ação robusto que articule dimensões pedagógicas e administrativas, com vistas à melhoria dos indicadores educacionais e ao fortalecimento do direito à educação de qualidade.
1.
Fundamentação teórica
A educação de qualidade constitui-se
como direito social previsto na Constituição Federal de 1988 e detalhado na Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei nº 9.394/1996). O Plano
Nacional de Educação (PNE – Lei nº 13.005/2014) estabelece metas de
universalização do ensino, melhoria da aprendizagem e redução das desigualdades.
A BNCC (2017) introduz o conceito de
aprendizagens essenciais, promovendo um currículo por competências, que orienta
práticas pedagógicas voltadas para a formação integral dos estudantes. Nesse
contexto, avaliações externas como o SAEB desempenham papel estratégico,
fornecendo diagnósticos que possibilitam alinhar o trabalho escolar às
expectativas de aprendizagem.
O IDEB, ao combinar desempenho e
fluxo escolar, constitui-se como principal indicador de qualidade da educação
básica. De acordo com o INEP (2023), a análise dos resultados permite
identificar pontos críticos e definir estratégias de intervenção pedagógica.
Além disso, a agenda internacional
expressa nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ONU, 2015), em especial
o ODS 4, convoca os sistemas educacionais a promover uma educação inclusiva,
equitativa e de qualidade. Segundo Saviani (2008), a escola deve ser entendida
como espaço de emancipação, e a gestão educacional precisa articular políticas
públicas, práticas pedagógicas e a realidade social do território em que está
inserida.
A literatura também reforça a importância do clima escolar e da participação da comunidade. Para Libâneo (2012), a gestão democrática é elemento fundamental para o sucesso educacional, na medida em que promove corresponsabilidade entre professores, estudantes, famílias e gestores.
2.
Metodologia de construção do plano
O plano foi construído a partir da
análise documental (Censo Escolar, SAEB/IDEB, registros internos), de
referenciais normativos (BNCC, PNE, ODS 4) e da realidade da comunidade
escolar. O processo metodológico adotou uma perspectiva qualitativa, com foco em quatro etapas principais:
1.
Diagnóstico da situação educacional da escola
(dados de matrícula, fluxo, proficiência, frequência, infraestrutura).
2.
Definição
de objetivos e metas,
quantitativas e qualitativas, alinhadas às políticas nacionais e municipais.
3.
Elaboração
de estratégias
pedagógicas e administrativas integradas.
4. Construção de mecanismos de monitoramento, com indicadores de curto, médio e longo prazo.
3.
Plano De Ação
3.1 Objetivo
geral
Elevar a qualidade educacional da Escola
Municipal Prefeito Luiz Manoel Nogueira por meio da melhoria dos indicadores de
desempenho e permanência, promovendo aprendizagens essenciais e reduzindo
desigualdades educacionais.
3.2 Objetivos
específicos
·
Aumentar
o IDEB em pelo menos 0,5 ponto (AI) e 0,3 ponto (AF) até 2026.
·
Reduzir
reprovação em 30% e abandono em 50%.
·
Diminuir
a distorção idade-série em 20%.
·
Garantir
40h anuais de formação continuada para 100% dos docentes.
·
Implantar
avaliação diagnóstica trimestral em todas as turmas.
3.3Metas e
indicadores
|
Indicador |
Meta 2025 |
Meta 2026 |
|
IDEB AI |
+0,3 |
+0,5 |
|
IDEB AF |
+0,2 |
+0,3 |
|
Reprovação |
−20% |
−30% |
|
Abandono |
−30% |
−50% |
|
Distorção idade-série |
−10% |
−20% |
|
Formação docente |
30h/ano |
40h/ano |
3.4 Estratégias
·
Implantação
de rotina diagnóstica e recomposição de aprendizagem.
·
Oficinas
de leitura e escrita; projetos de resolução de problemas.
·
Programas
de correção de fluxo e reforço intensivo.
·
Ciclos
trimestrais de formação docente.
·
Monitoramento
da frequência com busca ativa e envolvimento das famílias.
·
Melhoria
da gestão de dados escolares e uso pedagógico dos indicadores.
·
Projetos
de clima escolar, grêmio estudantil e participação comunitária.
3.5 Cronograma
·
2025.2: diagnóstico inicial, pactuação de
metas, 1º ciclo de formação.
·
2026.1: programas de recomposição, aceleração
de aprendizagem, simulado SAEB.
·
2026.2: monitoramento final, avaliação
institucional e plano de continuidade.
3.6
Resultados esperados
·
Aumento
das proficiências em Língua Portuguesa e Matemática.
·
Melhoria
do IDEB e das taxas de fluxo escolar.
·
Fortalecimento
da gestão pedagógica baseada em evidências.
·
Engajamento
de docentes, estudantes e famílias em torno de metas comuns.
·
Consolidação
de uma cultura de avaliação e corresponsabilidade educacional.
4.
Diagnóstico (dados sociais e educacionais)
4.1
Perfil do território (Camela/Ipojuca) – modelo de campos (ver censo)
·
População
estimada do distrito/bairro: Camela
·
Renda
média domiciliar: ______
·
Principais
ocupações das famílias: ______
·
Acesso/tempo
de deslocamento dos estudantes: ______
·
Programas
sociais presentes (Bolsa Família etc.): ______
4.2 Dados educacionais
(últimos 3 anos) – modelo
·
Matrículas
EF Anos Iniciais/ Finais: ______ / ______
·
Taxa
de aprovação / reprovação / abandono: ____% / ____% / ____%
·
Distorção
idade-série (AI/AF): ____% / ____%
·
Participação
no SAEB (última edição): ____%
·
IDEB
(AI/AF): ____ / ____
(Meta 2026 da rede: ____)
·
Horas
de formação docente por ano: ____ h
·
Faltas
médias de estudantes/mês: ____
· Infraestrutura (laboratório, biblioteca, internet): ______
5. Estratégias e ações
5.1 Pedagógicas
(sala de aula e currículo)
·
Rotina
de avaliação diagnóstica e formativa (bimestral) em LP/MAT com matrizes alinhadas à BNCC;
planos de recomposição de aprendizagem por habilidade (agrupamentos produtivos,
monitoria, trilhas). Letramento
e numeracia prioritários
(1º ao 3º ano): 1) 60 min/dia de leitura guiada e fluência; 2) prática diária
de fatos básicos e resolução de problemas (Metodologias Ativas).
·
Oficinas
de escrita e projetos de leitura
(clubes, feiras, sarau); resolução
de problemas e modelagem
em MAT nos AF.
·
Intervenção
para distorção idade-série:
turmas de aceleração/itinerários de reforço intensivo com metas de ganho de
proficiência e recuperação de fluxo (parcerias EJA/tempo ampliado). Uso pedagógico de dados SAEB/IDEB: encontros mensais por área, análise
item-a-item, mapa de habilidades, pactos de aprendizagem por turma.
·
Tecnologias
educacionais
(quando disponíveis): plataformas adaptativas para prática diária e dashboards
de acompanhamento.
5.2 Formação
docente e acompanhamento
·
Ciclos
trimestrais de formação
(planejamento baseado em evidências, avaliação, práticas de leitura/fluência,
didática da resolução de problemas).
·
Observação
de aulas com feedback
(protocolo de 15 min + devolutiva construtiva); co-planejamento quinzenal por série/área.
·
Comunidades
de prática
(docentes referências) e tutoria a professores iniciantes.
5.3 Gestão
escolar e administrativa
·
Sala
de gestão de dados
(painéis de frequência, avaliações, fluxo).
·
Gestão
de frequência:
ligações de “primeira ausência”, contratos pedagógicos com famílias, busca
ativa intersetorial com Assistência Social/Saúde.
·
Ajustes
de calendário e tempos pedagógicos: garantir 5 tempos semanais de LP e 5 de MAT (AF) e blocos
estendidos para intervenções.
· Infraestrutura e insumos: biblioteca viva, kits de leitura, calculadoras simples (AF), conectividade em salas. Planejamento orçamentário com Fundeb para custear formação, materiais e eventuais bolsas de monitoria.
5.4 Clima
escolar e participação
·
Cultura
de paz e convivência
(mediação de conflitos, assembleias de turma, grêmio estudantil).
·
Família
e comunidade:
reuniões pedagógicas com devolutiva de dados em linguagem acessível; campanhas
de presença; parcerias locais (ONGs, universidades).
·
Projetos
integradores
(feiras, olimpíadas de matemática/astronomia, jornadas literárias).
5.5 Governança, papéis e responsabilidades (RACI)
·
Direção (R): coordena execução, aloca recursos,
monitora metas.
·
Coordenação
Pedagógica (A/R):
formação, observação de aulas, análise de dados.
·
Docentes (R): aplicação de avaliações
diagnósticas, intervenções, registro.
·
Equipe
Administrativa/Secretaria
(C): dados de frequência, fluxo, documentação.
·
Estudantes/Grêmio (C): participação e projetos.
·
Famílias/Conselho
Escolar (I/C): acompanhamento
e pactos de presença.
·
SME/Assessoria (A): suporte técnico, avaliações
externas, recursos.
Monitoramento
(indicadores, fontes, periodicidade)
|
Indicador |
Fonte |
Periodicidade |
Responsável |
|
Proficiência LP/MAT (diagnóstica) |
Avaliação interna alinhada à BNCC |
Bimestral |
Coordenação |
|
Aprovação/ Reprovação /abandono |
Sistema escolar/Censo |
Mensal e anual |
Secretaria/Direção |
|
Frequência média e faltas crônicas |
Diário eletrônico |
Semanal |
Coordenação/ Professores |
|
Distorção idade-série |
Sistema escolar |
Trimestral |
Direção |
|
Horas de formação docente |
ATA/Plano de formação |
Trimestral |
Coordenação |
|
Ações com famílias |
Registro de reuniões |
Bimestral |
Direção/ Coordenação |
|
Execução orçamentária (Fundeb) |
Relatórios financeiros |
Trimestral |
Direção/SME |
5.6 Cronograma (ago/2025 – dez/2025
·
Ago–Set/2025: diagnóstico inicial (dados 2024/2025);
pactuação de metas por turma; calendário de formações; implantação da rotina de
avaliação diagnóstica.
·
Out–Dez/2025: intervenções focadas; projetos de
leitura e problemas; busca ativa; 1º ciclo de observação de aulas; relatório
trimestral à comunidade.
·
Jan–Mar/2026: revisão curricular por habilidades
prioritárias; aceleração para distorção; 2º ciclo de formação; monitoramento de
frequência.
·
Abr–Jun/2026: simulado SAEB; reforços intensivos;
olimpíadas/feiras; 2º ciclo de observação com feedback.
·
Jul–Set/2026: ajuste fino por dados; mostra
pedagógica; avaliação institucional participativa.
·
Out–Dez/2026: consolidação de indicadores; plano
2027; prestação de contas pedagógica e financeira.
5.7 Resultados almejados ao final da aplicação do plano
·
Ganho
de proficiência em LP/MAT nas avaliações internas e no SAEB;
·
Aumento
do IDEB (AI e AF);
·
Redução
de reprovação/abandono e da distorção idade-série;
·
Melhoria
de clima escolar, frequência, participação estudantil e engajamento das
famílias;
·
Elevação
das horas de formação docente e da qualidade do planejamento alinhado à BNCC.
5.8 Orçamento e fontes
·
Fundeb
(Lei 14.113/2020):
custeio de formação, materiais didáticos, monitorias/horas de intervenção, pequenas
adequações.
·
Programas
da SME/Estado/Uniões:
formações, materiais, conectividade.
·
Parcerias: universidades/ONGs para tutoria,
clubes de leitura, feiras científicas.
5.9 Riscos e mitigação
·
Absenteísmo
docente/estudantil
→ agendas de reposição e busca ativa.
·
Rotatividade
de professores →
banco de planos e trilhas por série; mentoria.
·
Dados
inconsistentes →
rotina de conferência mensal e padronização de registros.
·
Limitações
orçamentárias →
priorização (LP/MAT, frequência, formação) e captação de parceiros.
6. Considerações finais
A elaboração de um plano de ação
pedagógico e administrativo robusto é um instrumento estratégico para elevar os
indicadores educacionais e promover o direito à educação de qualidade. Mais do
que cumprir metas numéricas, trata-se de construir um processo de gestão
participativa que valorize a aprendizagem, reduza desigualdades e fortaleça o
papel social da escola pública.
A experiência da Escola Municipal
Prefeito Luiz Manoel Nogueira, em Camela-Ipojuca, pode servir como referência
para outras instituições, desde que respeitadas as especificidades locais. A
articulação entre políticas nacionais (BNCC, PNE, Fundeb), marcos
internacionais (ODS 4) e práticas escolares cotidianas é essencial para que a
escola cumpra sua função social.
Referências
·
BRASIL.
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
·
BRASIL.
Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da
educação nacional.
·
BRASIL.
Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação –
PNE.
·
BRASIL.
Lei nº 14.113, de 25 de dezembro de 2020. Regulamenta o Fundeb.
·
BRASIL.
Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC/CNE,
2017.
·
INEP.
Sistema de Avaliação da Educação Básica – SAEB. Brasília: INEP, 2023.
·
INEP.
Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB. Brasília: INEP, 2023.
·
LIBÂNEO,
J. C. Organização e Gestão da Escola: teoria e prática. Goiânia: Alternativa,
2012.
·
SAVIANI,
D. Escola e Democracia. 41. ed. Campinas: Autores Associados, 2008.
Plano de Ações
Pedagógicas - 2026
|
Ação |
Objetivos |
Metodologia |
Cronograma |
Responsável |
|
1. Avaliação Diagnóstica |
Identificar o nível de conhecimento prévio dos alunos após o recesso. |
Aplicação de testes padronizados de sondagem em leitura, escrita e
lógica. |
Fevereiro (Início do ano) |
Elisson Davi |
|
2. Fortalecimento de Descritores |
Sanar lacunas específicas em LP e MAT (ex: inferência de texto,
resolução de problemas). |
Oficinas de reforço focadas em descritores do SAEB/SAEPE com menor
índice de acerto. |
Mensalmente |
Ary Souza |
|
3. Registro com Inovação |
Documentar e validar práticas pedagógicas criativas. |
Uso de tablets, jogos educativos e materiais manipuláveis com registro
em portfólio digital. |
Contínuo (Fev a Nov) |
Elisson Davi |
|
4. Pedagogia de Projetos |
Promover a interdisciplinaridade e o protagonismo estudantil. |
Desenvolvimento de projetos temáticos mensais culminando em exposições
ou feiras. |
Mensal |
Equipe Pedagógica |
|
5. Simulados Bimestrais |
Preparar para o formato e tempo das avaliações externas. |
Testes de múltipla escolha com foco em habilidades críticas e gestão
de tempo. |
Mensal |
Glécia Paixão |
|
6. Reuniões Pedagógicas |
Alinhamento curricular e análise de dados de desempenho. |
Círculos de diálogo e planejamento coletivo por área de conhecimento. |
Mensal |
Selma Bento |
|
7. Aulões Mensais |
Revisar conteúdos de forma lúdica e motivadora. |
Encontros coletivos com dinâmicas, música e resolução de questões
desafiadoras. |
Mensal |
Ary Silva |
|
8 Família na Escola |
Integrar a comunidade escolar no processo educativo. |
Dias de "Portas Abertas" com palestras e apresentações
culturais. |
Mensal |
Jacira Albuquerque |
|
9. Reforço Escolar |
Atender alunos com dificuldades de aprendizagem severas. |
Monitoria e atividades diferenciadas no contraturno para grupos
específicos. |
Mensal |
Selma Bento |
|
10. Plantões Pedagógicos |
Realizar momentos de socialização do rendimento escolar a cada
bimestre |
Socialização dos rendimentos com estudantes e familiares durante
momento específico. |
Bimestral |
Selma Bento |